sábado, 18 de abril de 2009

Eike Batista doa R$ 10 milhões para a Campanha Rio 2016


08/04/2009 - 09:16
A candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 acaba de ganhar uma ajuda de peso. O empresário Eike Batista doou dia 7 de abril (terça-feira), em cerimônia no Salão Nobre do Palácio Guanabara, R$ 10 milhões para a campanha de atração das Olimpíadas para o Brasil. O cheque foi recebido pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e por 13 dos 19 atletas que formam a Comissão do Comitê Olímpico Brasileiro, entre eles Gustavo Kuerten, Hortência Macari, Robson Caetano e Bernard Rajzman.
Segundo o governador Sérgio Cabral, a iniciativa vai aumentar as chances de a cidade sediar as competições, além de refletir o compromisso do setor privado com a coletividade:
- O Eike tem demonstrado seu amor pelo Rio com os empreendimentos que tem feito aqui, como o Porto do Açu e a reforma do Hotel Glória. Além dele, outras empresas, como TAM e Embratel também já estão apoiando a candidatura do Rio e tenho certeza que outras seguirão este exemplo. Cada um contribui como pode. Chegou a hora de a América do Sul sediar pela primeira vez os Jogos Olímpicos. O Brasil já provou, com o Pan-Americano, que é capaz de realizar grandes eventos – afirmou.
O empresário, considerado um dos homens mais ricos do mundo, agradeceu os elogios e lembrou que, se não houvesse percebido determinação por parte dos governos federal, estadual e municipal em trazer as Olimpíadas para o Rio, não teria feito a doação.
- A energia que recebi aqui hoje foi muito maior do que eu dei. Na minha empresa, seguimos três lemas: disciplina, perseverança e paixão. Percebi esses três elementos quando fui conversar com o governador. Ele, o presidente Lula, o prefeito Eduardo Paes e o presidente do COB estão muitos empenhados em trazer esse grande evento para cá – disse.
Para Nuzman, o gesto do Eike mostra que a parceria entre os empresários e o setor público pode render frutos para todos.
- O COB fica emocionado com esse gesto e com seu desprendimento por participar de uma campanha que não é individualizada. É do Rio e do Brasil. Quando um homem bem-sucedido como ele volta seus olhos e a sua preocupação para o esporte isso traz uma alegria enorme – declarou.
Também compareceram ao evento o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o presidente de honra da Fifa, João Havelange, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a secretária de Estado de Turismo, Márcia Lins, o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, o presidente da Alerj, Jorge Picciani, e o presidente da Associação Comercial do Rio, Olavo Monteiro de Carvalho. Por Renata Cruz/Ascom

Após reforma de R$ 10 milhões, Júlio Delamare agoniza à espera da demolição

15/04/09 - 08h10 - Atualizado em 15/04/09 - 08h32
Instalação deverá dar lugar a estacionamento e museu para Copa de 2014
Igor Christ e Lydia Gismondi Rio de Janeiro

O Parque Aquático Júlio Delamare após reforma para o Pan que custou R$ 10 milhões
Quinze pessoas, provavelmente os parentes dos atletas, passaram o domingo de Páscoa nas arquibancadas do Parque Aquático Júlio Delamare, no Maracanã, onde acontecia o último dia do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais. Mas o público tradicionalmente pequeno em um esporte pouco popular no país não era o principal motivo para o clima melancólico da manhã. A sensação que toma conta do lugar há meses era de frustração e despedida, como anunciou o funcionário da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) assim que abriu o portão: “Moça, dá para acreditar que vão demolir isso aqui?”.

A notícia da quase certa demolição de um dos símbolos dos esportes aquáticos do país não é uma surpresa. É uma morte já anunciada desde o ano passado. Com a oficialização do Brasil como sede da Copa de 2014 e a candidatura do Rio para as Olimpíadas de 2016, o Júlio Delamare tornou-se uma das instalações “sem utilidade” para tais competições, assim como o Estádio Célio de Barros. Para o melhor conforto do grande público que o Maracanã promete receber no Mundial de Futebol, o parque aquático deverá dar lugar a um estacionamento e a um museu.

Mesmo tendo conhecimento do provável fim melancólico da instalação inaugurada em 1978, alguns atletas e pessoas envolvidas de alguma forma com o local pareciam não acreditar que tudo viraria poeira. E outros ainda não acreditam. Fernando Telles, ex-saltador brasileiro e um dos engenheiros responsáveis pela construção do parque aquático, ainda não aceitou a decisão.

- Só se faz uma demolição quando um estádio está destruído, deteriorado. Não se pode sacrificar uma coisa que está boa. Se quiserem, podem até colocar um estacionamento por cima das piscinas, mas não acabar com elas. Sinceramente, não consigo conceber que vão fazer isso – disse, emocionado, o engenheiro.

Fernando também foi um dos responsáveis, no Pan 2007, pela reforma nas piscinas que revelaram Gustavo Borges e Fernando Scherer. Dados divulgados pela própria Suderj informam que foram gastos R$ 10 milhões na modernização da instalação de 18.515m², que dispõe de uma piscina olímpica (25m x 50m), uma piscina coberta para aquecimento (10m x 25m), e um tanque para saltos (25m x 25m).


Júlio Delamare deverá dá lugar a um estacionamento e a um museu para a Copa do Mundo de 2014
O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, esteve presente na competição e fez questão de mostrar como o Parque Aquático está bem cuidado. O dirigente, entretanto, parece conformado com a demolição. Segundo ele, resta apenas cobrar que um compromisso feito entre a CBDA, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Comitê Olímpico Brasileiro seja cumprido.

- O Sérgio Cabral (governador do Rio) e o Nuzman (Carlos Arthur, presidente do COB) me garantiram que só iriam tirar um tijolo daqui quando começassem a construir o novo Júlio Delamare do outro lado da linha do trem – explicou Coaracy.

O atleta olímpico Hugo Parisi foi um dos destaques do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais. Apesar da alegria pelas conquistas, o brasiliense estava triste e inconformado com o provável futuro do parque aquático no qual treinou por cinco anos.

- Acho simplesmente ridículo. Gastaram milhões para reformarem isso aqui e agora querem destruir?

Cassius Duran, outro nome importante dos saltos ornamentais, não poupa palavras para demonstrar sua revolta. O saltador ainda ressaltou que não só os atletas da seleção como outras milhares de pessoas seriam prejudicadas com a demolição.

- Acho que isso mostra o que é o Brasil. São quatro mil nadadores que ficarão desamparados. Além dos funcionários daqui, o Júlio Delamare tem vários projetos sociais para crianças e idosos. É vergonhoso.

Secretária estadual evita usar a palavra demolição

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, a secretária de Turismo, Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro, Márcia Lins, evitou usar a palavra demolição. No entanto, deixou claro que não há chances do Parque Aquático Júlio Delamare ser preservado dentro do Complexo do Maracanã.

- O Júlio Delamare o Célio de Barros representam importante papel social e esportivo na nossa cidade, mas estão fora do padrão internacional. Já acertamos que esses locais serão utilizados pela organização da Copa e, portanto, deverão ser realocados em outros áreas - afirmou a secretária, sem especificar quando os estádios vão virar poeira.