Luiz Ernesto Magalhães-Globo
A estimativa de gastos do Rio para promover os Jogos Olímpicos de 2016 é a maior entre as quatro cidades que disputam a fase final de indicação pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O orçamento oficial, divulgado ontem, prevê gastos de R$ 29,5 bilhões (em infraestrutura urbana, construção e reforma de instalações esportivas, além de custeio do comitê organizador), quase oito vezes o que foi investido para tirar o Pan 2007 do papel (R$ 3,8 bilhões). O custo do projeto brasileiro, que prevê inclusive reformas e ampliação de instalações usadas no Pan, fica próximo do orçamento que Londres, que será a próxima sede das Olimpíadas (2012), atualizou na semana passada. Os ingleses planejam gastar R$ 30,7 bilhões. O valor é o dobro do previsto quando ganhou a disputa, há quatro anos.Tóquio (Japão) estima precisar de quase US$ 7,8 bilhões (R$ 17,5 bilhões) para organizar os Jogos Olímpicos pela segunda vez. Chicago (EUA) propôs gastar US$ 4,8 bilhões (R$ 10,8 bilhões), enquanto Madri (Espanha) aparece na lanterna, projetando um investimento de US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 6,5 bilhões). Mas as candidaturas apresentam algumas diferenças. Rio e Tóquio, por exemplo, foram as únicas que apresentaram ao COI garantias integrais da cobertura de despesas pelos governos.Essa garantia não é oferecida por Madri, enquanto Chicago se dispôs a colocar até US$ 500 milhões (R$ 1,1 bilhão), caso seja necessário.— Os orçamentos das cidades não podem ser comparados, como numa corrida financeira. Cada cidade tem suas particularidades. Tóquio, por exemplo, já realizou uma Olimpíada. Além disso, pelo menos 30% dos investimentos incluídos no orçamento são de obras que já estão em andamento e tiveram seus cronogramas ajustados aos prazos da candidatura olímpica — disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur NuzmanObras do PAC estão no orçamentoEntre as obras já em andamento no Rio incluídas como investimentos, estão projetos com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a reforma do Aeroporto Internacional Tom Jobim e a construção do Arco Rodoviário. O orçamento olímpico incorporou também investimentos em infraestrutura e segurança, que atenderão outros eventos internacionais a serem realizados nos próximos anos. Em 2011, quando o Rio sediará os Jogos Mundiais Militares, cerca de US$ 13,4 milhões (R$ 30,4 milhões) já terão sido gastos em adaptações e obras no Complexo Esportivo de Deodoro. O projeto teve ainda a consultoria do Iphan, que, por ser uma obra provisória, já autorizou a adaptação da Marina da Glória. No Pan, o projeto teve que ser revisto, devido ao impacto na área tombada.O custo da reforma do Maracanã e de mais quatro estádios para a Copa do Mundo de 2014 também foi incluído nos gastos da candidatura, porque o futebol é a única modalidade esporDivulgação.O PROJETO olímpico para a Marina da Glória: Ao contrário do que aconteceu no Pan, desta vez o Iphan autorizou a obra tiva que não seria disputada integralmente no Rio. A proposta do COB é que as subsedes sejam os estádios do Morumbi (São Paulo), Mineirão (Belo Horizonte), Fonte Nova (Salvador) e Mané Garrincha (Brasília).O orçamento para 2016 foi dividido em duas partes. A primeira, de US$ 2,8 bilhões (R$ 6,3 bilhões), seria administrada pelo Comitê Organizador dos Jogos (Cojo), que ficaria responsável pela montagem do overlay (estruturas provisórias) da Olimpíada.As principais fontes de receita seriam COI (cerca de R$ 2 bilhões), União, estado e a prefeitura (cerca de R$ 1,5 bilhão em partes iguais). Outros 2,8 bilhões viriam das receitas com licenciamento de produtos (como camisas e chaveiros) e da venda de ingressos. Os outros R$ 23,2 bilhões correspondem ao chamado legado olímpico: obras a serem feitas com recursos públicos ou privados.
Instalações já estão defasadas
Uma espécie de mantra foi repetido exaustivamente durante o Pan pelos organizadores: as instalações do Rio eram de nível olímpico. Mas o orçamento para 2016 mostra que ainda falta muito para os complexos esportivos existentes atenderem ao nível de exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em pouco mais de um ano de construção, o Parque Aquático Maria Lenk (autódromo), que custou R$ 85 milhões, ficou defasado e será usado apenas para saltos ornamentais e competições de polo, se o Rio vencer a disputa.Projetado para cinco mil espectadores, o Maria Lenk poderia receber um público de até 12 mil em estruturas provisórias, atendendo às exigências do COI na época da construção.Mas, após os Jogos de Pequim, o COI passou a exigir espaço para 15 mil espectadores. A solução encontrada foi planejar um novo complexo de piscinas, no Centro Olímpico de Treinamento (COT) que o COB planeja construir no terreno do autódromo, independentemente das Olimpíadas. As obras começariam apos a construção de um novo autódromo em Deodoro, cujo custo é estimado em R$ 100 milhões que (não estão no orçamento olímpico).Um dos maiores gastos seria mais uma vez com o Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão). Ele precisará ser ampliado de 45 mil para 60 mil lugares para receber as provas de atletismo. Ao contrário do que aconteceu no Pan, ali não haveria partidas de futebol.Entre 2003 e 2007, foram gastos R$ 405 milhões para tirar o Engenhão do papel e em melhorias no entorno (como implantação de redes de drenagem e urbanização de ruas).
Agora, os 15 mil lugares extras para as Olimpíadas exigiriam dos cofres da prefeitura mais US$ 119,2 milhões (R$ 269 milhões), entre 2013 e 2015.No caso do velódromo da Barra, os gastos serão proporcionalmente maiores que os do Engenhão. Com capacidade para 1.500 espectadores, o ginásio custou R$ 14,1 milhões (incluindo a pista em pinho siberiano).Mas, como o COI exige um ginásio para cinco mil pessoas, o prédio terá que ser reconstruído.
A previsão é que seja gasto o equivalente ao orçamento de outros seis velódromos semelhantes ao atual: US$ 39,7 milhões (ou R$ 89,7 milhões).
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
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